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Porto Alegre, RS, Brazil
Uma pessoa entre tantas,uma mulher,uma flor no meio de muitas uma estrela à decifrar.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A podridão do glamour

Que doideira essa coisa de novela,o brasileiro se delicia com os folhetins passados na telinha.É um drama tremendo,um conflito em nossas cabeças, e nós adoramos poluir e impregnar nossas mentes com estas histórias que vai da mais pitoresca e mirabolante à mais bandida,que retrata fielmente nosso cotidiano frágil,feio e sujo.Horário nobre,nome A Favorita.Devemos escolher a candidata a que?que critérios devemos usar?Teremos que dar pontos e bater palmas? Os jornais gritam,o ibope oscila entre uma e outra,àquela que mais se adapta a situação do momento é a eleita da vez.Os olhos grudados na tela plana,e a vida da gente é passada a todo instante, a repetição persiste,coincidência ou não,decidiu-se por evidenciar desta vez,belas mulheres,sim,pelo menos,vida bandida não é mais coisa apenas de gente feia,pobre e preta.De um lado fica as Marias, Anas,do outro,as Floras, Donatelas,Normas......Sempre há de estar no pódium,àquele que se destaca pelos seus feitos desonestos e sem escrúpulos.Porque será que o país cultua tanto esse tipo de cidadão?Nunca haveremos de entender ou ao menos saber.A sedução da novela é mais empolgante pois não precisamos pensar muito,apenas deduzir.Vou lá assistir mais um capítulo da novela,pois de nada adianta ter um senso crítico,porque uma,duas ou três agulhas no palheiro é muito difícil de encontrar e infelizmente,percebo,que isto é uma cegueira crônica.Obs: A grafia certa da palavra história nesse caso seria estória,pois não passa de mera ficção,mas como a palavra já foi abolida do vocabulário português,eu me reservo o direito de deixar registrado,pois de repente nos velhos aurélios ainda a encontramos.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

E a vida continua

Que maravilha voltar a escrever,além de ser uma ótima terapia, é um exercício infalível para os dedos, mãos,braços,antebraços,mente....Já estava com saudades de dedilhar.Me permiti dar umas férias à mim mesma de tudo aquilo que estava rotineiro.Fui viajar,espaireci,me diverti.... E com isso percebi que alguns amigos notaram minha ausência,obrigada!blogueiros talentosos sempre alerta.Estou bem,continuo meu tratamento,que sinaliza positivo, atendendo às minhas expectativas.Essa fase que se instalou em mim,de uma maneira invasiva,veio chegando de mansinho,sem pedir licença e sem ao menos perguntar se eu estava afim de abriga-lá,esta me deixando muito vaidosa,sim,estou adorando trocar o visual,chapéus,lenços,acessórios e combinações em geral é tão bom,não imaginei que me faria tão bem.De repente tomo coragem e viro uma camaleoa,será?.Minha amiga diz em seu tom bem humorado,que é coisa de artista,ela sempre levanta meu astral.Outro dia,ouvi de alguém, que estar com câncer é moda,pensei:que palavras bobas,de mau gosto.Lamento,mas na tentativa de me animar,foi infeliz sua observação.Considerei a boa vontade,mas sinto,que injeções de ânimo,já correm junto com os remédios nas veias.E arriba! como fala o querido jornalista do meu bairro.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Hoje estou sinceramente muito feliz,é o aniversário do meu menino dos olhos.Quatorze anos de vida juntos,lembro-me bem de seu nascimento, início de uma quinta feira fria,pois era uma hora da madrugada,os termômetros deveriam bater 10 a 11graús,e eu ali ganhando esse presente divino,ah! como eu queria que nàquela hora todos os sinos soassem,todas as trombetas produzissem seu som,e o meu grito de felicidade se fizesse ouvir nos quatro cantos do mundo,opa!o mundo não tem cantos,lamento,só os cantos da sala de parto ouviram,que bom! alguns escutaram,e partilharam da minha felicidade.Meu menino agora está crescido,mas confesso que às vezes tenho vontade de guardá-lo em meu ventre,bem juntinho à mim,seria a maneira de tê-lo integralmente.Por tantas vezes tive vontade de fazer parar o tempo,para que ele assim, ficasse,pequenino,oh tempo! porque não paras? porque roubas de mim,segundos,minutos?...Como quero celebrar mais um ano de meu filhote,deixo as lamentações para trás,viva a vida!!!!!Bem,vou parando por aqui,para dar tempo de publicar ainda hoje.Em tempo de ficar mais um pouco desse dia,ou dessa noite, especial e única para nós,com meu filho.

domingo, 20 de julho de 2008

Há poucos dias alguém me perguntou,o porquê de eu criar um blog e ter dado à ele o nome ëstrela,vou estender a resposta àqueles que gostariam também de saber.A iniciativa desta empreitada devo dizer:não foi minha,e sim,de minha incompáravel amiga Beti Timm,inclusive, até o nome é de sua imaginação,pois, deliciosa e carinhosamente é assim que ela se refere à mim.Em outra postagem falarei à seu respeito. Agora quero deixar registrado,o quanto me fez bem essa idéia da serelepe Beti.Percebo que as letras tão aliadas nossas são muito companheiras,parceiras nos mais variados estados de espírito,elas choram por nós sem se quer derramar uma única lágrima,elas riem sem ao menos expressar um esboço,que fosse de um sorriso amarelo,elas gritam sem o mínimo esforço para abrir a boca,nos reconfortam,sem o toque suave de mãos alheias à nos abraçar,nos dão seu carinho e apoio,mas também sabem se impor,ser felinas, radicais,quando lhes convém,machucam,ferem,maltratam,sim,elas também tem ambiguidade,pois elas precisam defender à nós e a si próprias,assim, escrevo para homenageá-las,pois nesse instante, elas saltam aos meus dedos,de uma maneira veloz e impressionante,pois o mesmo não acontece no percurso quanto aos meus lábios.E encerro,como comecei,citando Beti Timm que hoje é a responsável por minha proximidade com a grafia,no qual noto, que já estou numa relação à caminho da intimidade.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

O criador e a criatura


Encerrei minha primeira postagem falando do criador, como pode se perceber,tenho uma estreita relação com ele.Hoje quero menciona-lo de uma outra forma,pois diferente são as maneiras como ele se faz presente.O fato é verídico e corriqueiro nos lares brasileiros.A mãe que fora contra as evidências que insistiam em lhe esfregar no rosto, na busca incessante do paradeiro de um de seus filhos,incansável por dois anos e sem jamais perder a fé, ela,que tinha certeza que um dia encontraria-o com vida,mesmo que tudo conspirasse contra si,viu sua caminhada ter um fim.A fé ou o destino como muitos costumam pensar,o levou ao encontro de seu rebento.Não me perguntem como isso aconteceu,o que sei, é que no dia do aniversário do tal menino,ela tomada do espírito santo resolveu dirigir-se até o local onde ele fora visto pela última vez, na sua terceira tentativa não esmoreceu e seguiu em frente.Hoje estão recomeçando uma nova vida,desejo muito que sejam felizes por anos a fio, que o filho tenha a mesma fé da mãe e que a mãe nunca deixe-a escapar,como um dia seu filho o fez.
A propósito levanto nas minhas duas primeiras postagens as bandeirinhas: o da luta contra o câncer,especialmente,contra o de mama na qual estou enganjada e o da batalha contra o desaparecimento involuntário,ou não,das pessoas desaparecidas ou arrancadas de seus lares. Remando contra maré só sairemos ilesos se vislumbrarmos além do infinito.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

" A dor da carne não transcede a alma"


Ao saber que fora acometida pelo câncer de mama pensei:sou apenas mais uma das tantas mulheres que vestem a camiseta da campanha,a diferença é que umas estão do lado direito,outras do lado esquerdo.A minha intuição não falhara.Não foi uma surpresa muito menos uma decepção ou um choque,sem questionamentos aceitei e me conformei,ou,me conformei e aceitei.Mas nós mulheres quando nos deparamos com uma situação que meche com nossa vaidade nos desesperamos,nos escabelamos ou então,a mais singela de todas as manifestações choramos,sim,porque somos sensíveis,somos seres expostos à natureza divina.Meus momentos cruciais,não sei se posso chama-los assim,foram:a confirmação do exame que complementara a biópsia já suspeita,a notícia da mastectomia e a tomada de consciência da caminhada a ser seguida.Ter o câncer não me é assustador,sei que não é um bicho de sete cabeças,mas não deixa de ser a cuca,é um inimigo devastador,exterminador que assola o ser humano,muitas vezes deixando o sem reservas o suficiente para liquida-lo.Diante desse desafio resolvi seguir minha vida normal,decidi que não sofreria por antecipação,constatei que tudo o que estava acontecendo e o que viria a acontecer de nada alteraria se eu mudasse minha postura ou não,surpreendi-me com tal atitude.Me senti capaz de conviver com a idéia na expectativa da transformação que ocorreria.A cada dia que passa é menos um dia,que eu passo a contar regressivamente,é menos um dia que falta para que eu comece a travar uma luta contra àquele que levará parte de mim,sim,ele levará,o que não me servirá mais,me fará sofrer,me deixará em pedaços,mas eu quero,eu vou encontra-lo forte,em paz e com fé,curvarei-me diante da agonia,a dor não me será indiferente,passarei pelos espinhos,derramarei lágrimas se sentir vontade,pois elas purificarão minha alma,transformando-se em anti corpos a me proteger,e eu continuarei forte.Ter hoje câncer me remete ao antes,ao durante e ao depois.Ainda que durante,eu morra simbólicamente,eu me retraia a um abismo de frustrações eu expurgarei todas as dores e renascerei,regenerarei-me.Agora já está pertinho de tudo de fato começar e é longo o percurso,a sensação que tenho por estar inteira é boa,mas sei que é mera ilusão.No começo gostaria de acordar e pensar que era um sonho,hoje,não quero esquecer,quero é lembrar sempre só assim posso ir me planejando,me reinventando,vou experimentar uma outra forma de viver.Ao câncer eu digo minha fé me conduzirá.Eu só peço a Deus que ao estar na ante sala da sala cirúrgica ele segure em minha mão me leve a deitar em verdes pastos e guia-me mansamente em águas trânquilas,refrigerando minha alma e ungindo minha cabeça de óleo.Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte não temerei mal algum,porque ele estará comigo e a sua vara e o seu cajado me consolarão,porque a morte não irá me encontrar sem antes eu ter feito tudo que eu ainda tenho a fazer.